Nádia

Sentada na praça, olhava os transeuntes muito atentamente. Tentava imaginar as histórias de vida de cada um deles, adorava esse exercício. Às vezes esquecia que o mundo era feito de tantas histórias que ela jamais ouviria ou veria, então se punha a imaginá-las. Isso também a ajudava a esquecer suas próprias histórias, abandonar-se um pouco.

Quando percebia estava de volta a si. Qualquer história que imaginasse a levaria de volta às suas próprias. Era de certa forma inevitável, mas também o lembrete de que é impossível abandonar-se ou talvez de que não importa quão único sejamos, sempre há algo que nos assemelhe.

De repente lembrou-se de todas as pessoas que amou na vida e de alguma forma ainda amava todas. Gostava de lembrar o que as diferia, o que as assemelhava. E de lembrar o que lhe trouxeram de novo dos longínquos Mares dos Outros. Aqueles mares tão tormentosos, mas tão bonitos.

Mas sabia que pelos mares que navegasse, sempre navegaria só. Levantou e foi andando.